Ano XXII | Nº 1039 | 9 a 15 de fevereiro

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ANÁLISE

Carla Beck

Carla Beck , Engenheira agrônoma - DTE/FAEP 

FAEP orienta sobre o perigo da ferrugem

No Paraná, a escalada foi de 42 para 87 – mais que dobrou. O fungo é muito agressivo e pode causar rápido amarelecimento e queda prematura de folhas, causando danos na formação das vagens e enchimento de grãos, acarretando perdas consideráveis na colheita

A rápida expansão e o grande potencial de perdas fazem da ferrugem asiática uma das mais importantes doenças da cultura da soja. Dados da última semana  mostraram um uma aumento no número de casos de ferrugem asiática na soja de 227 para 379 ocorrências – um aumento de 67%. No Paraná, a escalada foi de 42 para 87 – mais que dobrou. O fungo é muito agressivo e pode causar rápido amarelecimento e queda prematura de folhas, causando danos na formação das vagens e enchimento de grãos, acarretando perdas consideráveis na colheita.

O monitoramento constante das lavouras, principalmente quando as condições climáticas forem favoráveis ao desenvolvimento do fungo, é a principal ferramenta de manejo para o controle preventivo da doença. O fungo é capaz de germinar entre as temperaturas de 7º e 28ºC, com faixa ótima de 15º a 25ºC.  E as Infeções ocorrem com temperaturas entre 20ºC e 25ºC e com 6 horas de molhamento, sendo que taxas de infeções máximas ocorrem entre 10 a 12 h de molhamento.

Os sintomas podem ocorrer em toda a parte aérea da planta, mas é mais comum nas folhas, iniciando-se por pequenos pontos de coloração castanho claro a marrom. Evoluem para pústulas e, por fim, o amarelecimento, crestamento e desfolha prematura. Os sintomas são observados predominantemente na face inferior das folhas.

Deve-se priorizar no monitoramento os locais onde as condições são mais favoráveis. São os locais semeados mais cedo e  onde a umidade se acumula com maior frequência. O produtor deve caminhar pela lavoura coletando folhas, do baixeiro, de plantas ao acaso. O monitoramento deve ser feito desde os estádios vegetativos porque potencialmente a doença pode atacar a planta em qualquer estádio. Na fase do florescimento, as visitas às lavouras devem ser intensificadas porque o risco é maior nos estádios reprodutivos.

 As cultivares utilizadas no Brasil e as épocas de semeadura podem fornecer subsídios importantes para a tomada de decisão referente ao momento ideal para se fazer o controle químico. A aplicação  do fungicida deve ser técnica, levando em conta alguns fatores, tais como: presença do fungo na região, idade das plantas e condição climática favorável.

O número de aplicações vai depender da época de ocorrência da doença, quanto mais cedo a doença ocorrer, maior a possibilidade de ter que realizar várias aplicações. Em muitos casos, a ferrugem pode aparecer no início de formação de vagens e grãos. Neste caso, uma única aplicação pode controlar a doença. Mesmo realizando a primeira aplicação, deve-se manter o monitoramento para verificar se está ocorrendo reincidência da doença. Mas antes de decidir por nova aplicação, observar  se as condições climáticas estão ou permanecem favoráveis à ferrugem.

É importante também avaliar a relação custo-benefício da aplicação. Dependendo do estádio da cultura em que a doença incide, a produtividade  poderá não ser mais afetada e, portanto, a aplicação é desnecessária. No entanto deve-se estar atento, pois o inoculo  continua sendo produzido e pode infectar e reinfectar lavouras vizinhas de ciclo mais tardio.

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Boletim Informativo nº 1039
FAEP - Federação da Agricultura do Estado do Paraná