
Quatro reuniões de representantes dos fumicultores da região Sul do País com as indústrias fumageiras não resultaram em acordo. Na última rodada de negociação, dia 28/01, no Rio Grande do Sul, as indústrias insistiram em proposta fechada de 12,6% de reajuste no preço pago ao produtor. Como o percentual está abaixo do aumento de 13,5% nos custos de produção, os fumicultores rejeitaram a oferta.
A indústria não abriu para o diálogo. Diante do impasse, os produtores decidiram romper a negociação. Segundo Mesaque Kecot Veres, representante da FAEP na Comissão Mista de Fumicultura, a partir de agora os produtores só aceitam negociar em grupo, com o sindicato das indústrias (Sinditabaco), e não mais individualmente como vinha sendo feito.
“Estranhamos que, apesar da negociação individualizada, todas as empresas apresentaram propostas semelhantes. Só queriam repor o custo de produção calculado por elas; uma das indústrias, que havia oferecido reajuste de 22%, voltou atrás e se alinhou às demais”, diz Mesaque, que é presidente do Sindicato Rural de Irati.
A indústria está pagando R$ 105,56 a arroba do fumo BO1. Conforme o pedido dos produtores, de 27,9%, o produto custaria R$ 119,90.
Expectativa - Apesar do rompimento da negociação, os representantes dos produtores acreditam que o diálogo será reaberto em breve. Por que as empresas voltariam a conversar? “Primeiro, pelo próprio interesse comercial. Hoje, para exportar, a empresa não pode uma imagem de deficiência na questão da sustentabilidade social, econômica e ambiental. Com essa postura, elas estão arranhando esta imagem”, diz Mesaque. Ele completa: “também existe uma pressão regulatória de toda a sociedade em relação ao tabaco, então a indústria precisa desta parceria com os produtores, para mostrar a importância da cultura, que só no Paraná envolve 35 mil famílias”.
Segundo o presidente da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), Benício Werner, o diálogo está aberto. “Não somos intransigentes. Esses 22% garantiriam uma lucratividade menor, mas que poderia ser aceita”, explicou ele ao jornal Gazeta do Sul, de Santa Cruz do Sul, onde houve as negociações.
Diante do preço pago pela indústria, a recomendação da Afubra é de que os produtores só vendam o que realmente precisarem. É uma forma de pressionar por índices melhores.